A jornalista Adriana Araújo criticou a entrevista da RECORD com Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha e condenado por tentar assassiná-la. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (10), durante o Jornal da Band.
Funcionária da emissora durante 15 anos, a apresentadora questionou o interesse jornalístico da reportagem exibida pelo Domingo Espetacular. Segundo ela, dar espaço ao condenado representa uma nova forma de violência contra a vítima.
“Quem tenta matar quer a morte, é um assassino potencial. Qual é o verdadeiro interesse jornalístico em dar voz a um sujeito desse perfil? Que prazer sádico é esse de deixar um criminoso contar sua versão de um crime hediondo, violentando a vítima de novo, com a deturpação dos fatos?”, declarou.
Na sequência, a jornalista relembrou a história de Maria da Penha. Ela destacou as duas tentativas de homicídio praticadas pelo então marido, em 1983.
“Maria da Penha tem que ser honrada todos os dias no nosso país. Fez da dor, luta e vitória. Da coragem dela nasceu uma lei que protege todas nós, mulheres, contra a violência doméstica. Dar palco para o criminoso que tentou matá-la é banalizar a vida”, completou.
Justiça determina retirada da entrevista
A repercussão da reportagem ultrapassou as críticas feitas por Adriana Araújo. No domingo (09), Marco Antônio Heredia Viveros foi preso em Natal, no Rio Grande do Norte.
Segundo o Ministério Público, Heredia descumpriu uma medida protetiva, já estava proibido de divulgar informações sobre o processo. A decisão também impedia que ele expusesse o nome ou a imagem de Maria da Penha e de duas filhas do casal.
A Justiça acolheu o pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva de Heredia. Além disso, determinou a retirada imediata da entrevista e de todo o material de divulgação relacionado à reportagem.

