O ator Wagner Moura voltou a abordar política e fez alerta sobre os efeitos da polarização na convivência entre as pessoas. Em entrevista ao Conversa com Bial (TV Globo), na noite dessa terça-feira (04), ele refletiu sobre democracia e afirmou que está cansado dos ataques que recebe por causa de seus posicionamentos.
O assunto surgiu enquanto Wagner comentava os temas da peça ‘Um Julgamento’, atualmente em turnê. Segundo ele, a tolerância é um dos pilares da democracia e o debate público se tornou mais difícil porque diferentes grupos já não compartilham a mesma percepção dos fatos.
“A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante. O que, para mim, é assustador é que não estamos mais vendo a realidade da mesma forma”, afirmou.
Na sequência, o ator comparou o cenário político atual com períodos anteriores. Para Moura, no passado havia divergências ideológicas entre direita e esquerda, mas existia uma compreensão comum sobre os acontecimentos.
“Eu lembro de uma época em que esquerda e direita, se a gente polarizar a coisa, brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?”, declarou.
O ator ainda acrescentou que a perda de confiança nas instituições pode favorecer o surgimento de governos autoritários, sendo uma ameaça direta à democracia.
“A polarização política, o descrédito no governo, dizer ‘isso não me representa’ e ‘não preciso disso’ [complica]. Por isso, governos autoritários tendem a aparecer como se não fossem da política, como se estivessem fora do sistema. Vai se descredibilizando o sistema democrático, não apenas de eleger seus representantes, mas de você, como cidadão, interferir”, afirmou.
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Antes de encerrar, Wagner também revelou que gostaria de dialogar mais com pessoas de direita e desabafou sobre a hostilidade que enfrenta por causa de suas posições políticas.
“No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade. É o afeto, é o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas da gente. E, se tiver empatia suficiente, pelos outros também, inclusive os que pensam diferente da gente. Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, disse.
"hoje os fatos não importam mais, e eu não sei o que fazer com isso", Wagner Moura coloca na mesa sua opinião sobre como a distorção da realidade pode estar afetando a democracia #ConversaComBial #TVGlobo pic.twitter.com/ewVkVa0VHD
— TV Globo (@tvglobo) August 5, 2026
