O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a pauta do combate à violência contra a mulher durante entrevista concedida à emissora RECORD. Questionado pela apresentadora Mariana Godoy sobre as estratégias para conter o avanço do feminicídio no país, o chefe do Executivo defendeu a integração entre os órgãos públicos para enfrentar o problema.
Segundo o presidente, a pauta foi levada diretamente à articulação entre o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. A intenção é demonstrar a viabilidade de uma atuação conjunta entre as instituições no combate aos crimes de gênero.
Ao detalhar as iniciativas adotadas na gestão federal, o presidente ressaltou o avanço na legislação e nas estruturas de apoio. “Desde que eu criei esse pacto, nós já fizemos 11 leis, 4 decretos e 3 portarias. Nós já fizemos várias Casas da Mulher, vamos fazer muito mais e vamos criar muita coisa”, afirmou durante a transmissão exibida no programa Domingo Espetacular.
Entre as medidas operacionais, o presidente mencionou a aplicação de mecanismos de monitoramento para agressores. “Hoje, o cara que agredir mulher e tiver tornozeleira, se ele chegar perto da mulher, ela vai saber que ele está chegando perto. E ele tem que ser preso para não chegar perto dela”, declarou.
Além do cumprimento das normas legais, o chefe do Executivo enfatizou a necessidade de promover transformações na formação cultural e educacional da sociedade. Para o presidente, o padrão de comportamento masculino precisa passar por revisões para afastar o sentimento de posse sobre as companheiras.
“Nós, homens, nascemos achando que a gente era mais poderoso que mulher. Quando você se casa, você não vira dono da mulher, você vira parceiro de uma companheira que vai construir junto a sua vida. A mulher quer ser livre, ela quer fazer o que ela quiser, respeitando a relação dela com o marido, com o filho”, ressaltou o mandatário.
O presidente criticou condutas de controle sobre vestuário, rotina e convivência social das mulheres, defendendo a autonomia feminina no cotidiano. Na avaliação do chefe do Governo, as atitudes violentas devem ser combatidas ativamente pela própria população masculina.
“Nós precisamos fazer com que os homens de bem tratem as mulheres com respeito. Eu faço um apelo às pessoas de bem: converse com os seus amigos que são brutos, ignorantes, que acham que mulher é escrava dele, para ele parar de fazer bobagem e cuidar bem da família. O homem de verdade, aquele que é homem com H maiúsculo, ele protege a sua companheira e não comete violência contra ela”, concluiu o presidente.
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