Assim como o Fantástico (TV Globo), o Domingo Espetacular (RECORD) também entrou no caso da prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra. Em uma reportagem de mais de 18 minutos conduzida pelo jornalista Roberto Cabrini, a equipe de reportagem saiu no rastro dos endereços das empresas fantasmas que, segundo as investigações, possuem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Tais firmas estão registradas no nome de Deolane e localizadas em cidades do interior paulista, na região próxima ao presídio de Presidente Venceslau.
Ao chegar ao município de Martinópolis, que possui cerca de 24 mil habitantes e fica situado a 90 quilômetros da penitenciária de Venceslau, o apresentador localizou um imóvel de número 245 em uma rua pacata. No papel, o endereço serve como sede oficial para 35 empresas apontadas pelas autoridades como parte do esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa. No entanto, a realidade do local físico revelou um cenário totalmente diferente do esperado para movimentações financeiras milionárias.
Dentro da residência indicada nos registros oficiais, a equipe de televisão encontrou um morador de perfil simples. Trata-se do senhor Paulo Nogueira, de 65 anos, que informou viver no local há 34 anos acompanhado de sua esposa. O proprietário é um ex-motorista carreteiro que atualmente vive com a renda de sua aposentadoria. A habitação humilde chamou a atenção por acumular objetos antigos reunidos pelo idoso ao longo das décadas.
Questionado de forma direta por Roberto Cabrini sobre o funcionamento de atividades comerciais ou se possuía conhecimento de alguma firma estabelecida naquele lote, o aposentado foi enfático ao negar qualquer relação com os negócios investigados. “De jeito nenhum.. É trambique”, declarou o morador à reportagem.
Apesar do desconhecimento sobre as atividades da facção, o idoso fez uma revelação curiosa ao relatar que o endereço costuma receber correspondências estranhas com frequência, consistindo em diversas contas para pagar em nome de terceiros.
Assista ao vídeo:
Desdobramento das investigações no interior de São Paulo
A localização do imóvel em Martinópolis corrobora os relatórios periciais divulgados pela polícia e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Conforme apontado nas investigações iniciais, a escolha de municípios vizinhos aos presídios da região de Presidente Venceslau era estratégica para a pulverização e ocultação de valores de origem espúria. Além disso, a tática de registrar dezenas de firmas de fachada em um único endereço residencial humilde é um padrão conhecido para dificultar a fiscalização e esconder os reais operadores do esquema financeiro.
A defesa da influenciadora Deolane Bezerra vem sustentando que ela não possui vínculos com negócios ilícitos e que seus patrimônios e recebimentos financeiros possuem justificativa legal declarada.
No entanto, o cruzamento de dados bancários com os endereços físicos das empresas registradas em seu nome continua sendo um dos pontos centrais da apuração policial. Enquanto o processo corre na Justiça, a advogada segue detida na colônia penal feminina do interior paulista após ter sua prisão preventiva decretada.
