Durante a exibição do Debate Presidencial (Band) na noite do último domingo (23), o candidato Renan Santos (Missão) protagonizou um momento de grande tensão ao vivo. Ao criticar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o político atacou a primeira-dama e declarou: “O Lula, coitado, tem que ficar com aquela Janja. Era mais fácil ter vindo no debate. Ele teria companhias melhores. A situação é assustadora!”. Em seguida, o concorrente completou a declaração controversa no ar: “Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado”.
Em nenhum momento a apresentadora Adriana Araújo e Eduardo Oinegue interveio após as falas problemáticas de Renan. Os mediadores mantiveram a condução do programa sem realizar qualquer repreensão no ar. A passividade dos jornalistas na bancada causou surpresa nos bastidores e nas redes sociais.
Diante do episódio ocorrido na noite de ontem, o candidato ao governo da Paraíba Olímpio Rocha (Psol-PB) acionou a Justiça. Ele protocolou uma representação no Ministério Público Eleitoral (MPE) nesta segunda-feira (24). A manifestação foi registrada no Ministério Público Federal sob o número 20260068681. O advogado pede a apuração de possível injúria eleitoral. Ele também aponta uma eventual violação ao artigo 243 do Código Eleitoral, que proíbe propaganda que deprecie a condição feminina.
Olímpio Rocha justificou a ação por meio de um vídeo publicado na internet. “Pode criticar Lula, pode criticar Janja. O debate e a crítica fazem parte da democracia. Outra coisa é transformar uma mulher em objeto de humilhação para atacar o marido”, disse Rocha em vídeo.
O documento cita ainda a Lei 14.192/2021, que combate a violência política contra as mulheres. O advogado solicita que o órgão requisite as imagens da Band e faça a transcrição oficial das falas. “Democracia também significa garantir que nenhuma mulher seja utilizada como um instrumento de humilhação no debate público”, finalizou o candidato.
A contradição com a campanha recente da emissora
A postura silenciosa do canal no palco do estúdio colide diretamente com o posicionamento recente do próprio Grupo Bandeirantes. Há poucas semanas, a empresa lançou a campanha institucional “Band Não Se Cala” para incentivar denúncias e combater agressões, estupros e feminicídios no Brasil.
A própria divulgação do projeto institucional apresentou dados alarmantes do país. As estatísticas indicam que uma mulher aciona a Polícia Militar a cada 30 segundos no Brasil. Além disso, os registros mostram um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no território nacional. A iniciativa nasceu exatamente do retorno de milhares de telespectadores e orienta a população a manifestar repúdio direto a qualquer atitude que desrespeite as mulheres.
Por isso, o silêncio observado durante a transmissão de domingo gerou questionamentos. Afinal, a mobilização pregada na teoria não foi praticada quando o ataque verbal ocorreu ao vivo em sua própria bancada.
A Coluna do Toninho e o Portal Alta Definição procurou a Band para um pronunciamento no início da manhã desta segunda-feira (24). Contudo, até o momento o canal não se pronunciou sobre o caso. O espaço segue aberto para a manifestação oficial da emissora.
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*As informações e opiniões contidas no texto não refletem necessariamente o posicionamento do Portal Alta Definição.
