O volume de recursos transferidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de atenção nesta quarta-feira (13). De acordo com informações publicadas pelo The Intercept Brasil, o empresário destinou R$ 62 milhões ao projeto em um intervalo de quatro meses. Esse montante é significativamente superior ao orçamento de produções de destaque do cinema brasileiro recente.
Dessa forma, o investimento no filme sobre o ex-mandatário supera os R$ 45 milhões gastos em Ainda Estou Aqui, obra premiada e de repercussão internacional. Além disso, o valor é mais que o dobro dos R$ 28 milhões investidos em O Agente Secreto (Vitrine Filmes), longa protagonizado por Wagner Moura. No entanto, o planejamento inicial previa um faturamento ainda maior, chegando a R$ 134 milhões, mas os pagamentos cessaram após a prisão de Vorcaro em decorrência de investigações de fraude no Banco Master.
A articulação do acordo teria ocorrido por meio do publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi. Segundo Miranda, o projeto foi apresentado ao banqueiro a pedido do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Por outro lado, mensagens e áudios revelados indicam a participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na cobrança de valores em atraso. Em um dos registros, datado da véspera da primeira prisão do banqueiro, em novembro, o parlamentar solicita a regularização dos repasses.
Enquanto isso, a defesa do senador confirmou os contatos, mas reiterou que o aporte trata-se estritamente de financiamento privado. Flávio Bolsonaro afirmou ter conhecido o empresário apenas em dezembro de 2024. É importante destacar que, ao contrário de produções como “O Agente Secreto”, que captou parte de seus recursos via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e BNDES, os valores de Vorcaro foram injetados diretamente na produção.
Comparativo de investimentos no cinema nacional
Para efeito de comparação, a fatia brasileira do orçamento de “O Agente Secreto” contou com R$ 7,5 milhões oriundos de fomento público, além de recursos da iniciativa privada e parcerias internacionais com França, Alemanha e Holanda. O restante do orçamento foi completado por meio da Lei do Audiovisual, que permite a renúncia fiscal de empresas para patrocínio cultural. Dessa forma, o investimento direto feito por Vorcaro em um único projeto de cunho biográfico destoa da média de captação do mercado audiovisual do país.
