Seis meses após o último adiamento, a Justiça baiana deu prosseguimento nesta quarta-feira (06) ao julgamento do “Caso Golpe do Pix“. O processo envolve os jornalistas Marcelo Castro, conhecido como Alô Juca — que atualmente apresenta o programa de mesmo nome na TV Aratu (Afiliada do SBT) — e o editor Jamerson Oliveira. Na terça-feira (05), o Juiz Waldir Viana Ribeiro, da Vara de Organizações Criminosas de Salvador, retirou o sigilo do caso.
Com a abertura dos dados, a imprensa acompanhou a etapa final dos depoimentos das testemunhas. O cenário revelado vai além de desvios financeiros. Conforme os relatos, havia um sistema de intimidação que silenciava as vítimas pelo medo. Nesta quinta-feira (07), os réus serão interrogados.
O ponto central da audiência foi o depoimento do delegado Charles Leão, que presidiu o inquérito na Polícia Civil. Leão descreveu o ambiente de insegurança encontrado ao interrogar os envolvidos. Segundo o delegado, uma pessoa reportou “medo de ser assassinada em nome de Marcelo Castro”.
O relato indica que o repórter circulava acompanhado de homens armados. Para as vítimas, que se encontravam em estado de vulnerabilidade extrema, tal postura era interpretada como uma ameaça direta. De acordo com o delegado, o esquema utilizava essa pressão psicológica para evitar denúncias.
A estrutura do grupo e o desvio de recursos
Durante a oitiva, Charles Leão detalhou a hierarquia da organização criminosa. Ele colocou Jamerson Oliveira como a peça fundamental do “Caso Pix“. “Eu sinto que ele é a função essencial dentro dessa coisa. Sem ele nada aconteceria”, afirmou o delegado.
Nessa estrutura, o grupo operava da seguinte forma:
As investigações apontam que, em um ano e cinco meses, o grupo arrecadou cerca de R$ 543 mil. Desse total, R$ 407 mil foram desviados. Isso significa que 75% das doações dos telespectadores nunca chegaram aos necessitados.
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Provas técnicas e o rastro bancário
O delegado reforçou que os extratos bancários são a “prova viva” dos crimes. A polícia utilizou relatórios do Coaf e perícia do Laboratório de Lavagem de Dinheiro para seguir o dinheiro. “O extrato bancário fala de forma objetiva, sem influência humana”, pontuou Leão na quarta-feira.
A defesa tentou questionar a origem dos dados técnicos durante a audiência. Contudo, o rastreamento mostrou que as doações eram pulverizadas em contas de terceiros. Um exemplo citado foi um Pix de R$ 4 mil enviado a um policial militar. Embora ele acreditasse ser um recurso da emissora para uma ação social, o valor partiu da conta de um dos réus.
Atualmente, os envolvidos respondem por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O caso teve início após a RECORD notar inconsistências em doações, como a feita pelo jogador Anderson Talisca.
