Pela primeira vez, Maya Massafera fez um ensaio exclusivo para a Vogue. Em carta aberta ela revelou detalhes íntimos sobre sua jornada de autodescoberta e felicidade. Aos 43 anos, ela compartilha sua experiência de transição de gênero e como finalmente encontrou a paz consigo mesma.
Maya sempre foi uma figura conhecida pelo canal do YouTube ou polêmicas em páginas de fofoca, quando ainda atendia pelo nome de Matheus Mazzafera. No entanto, por trás dos holofotes, ela enfrentava uma batalha interna que a levou a questionar sua identidade de gênero. Agora, após anos de reflexão e apoio profissional, ela se sente mais autêntica do que nunca.
“Tem um ditado que diz que a vida começa aos 40. A minha literalmente começou aos 43“, diz ela no início da carta.
A influenciadora explica que, ao longo dos anos, buscou compreender sua própria essência. Conversando com médicos e psicólogos, ela percebeu que seu estado de felicidade era o resultado de finalmente viver de acordo com sua verdadeira identidade.
No entanto, Maya compartilha “medo e disforia”. Ela conta que sair de casa se tornou um evento marcante. As pessoas querem ver se ela está realmente feminina, observando as mudanças em seu corpo. Amigos e conhecidos também expressam curiosidade, o que, embora bem-intencionado, pode ser exaustivo.
Passei 40 anos na pior prisão que vocês podem imaginar. Eram 24 horas por dia dentro de um corpo e gênero que não eram meus. Nasci com alma feminina, eu era uma mulher presa em um corpo masculino. Tinha meus momentos felizes, mas não era uma pessoa feliz. Ainda mais porque não me entendia como uma mulher trans. Minha transição começou anos atrás, bem antes, mesmo sem eu entender. Fazia alguns anos que eu já não conseguia usar roupas que a sociedade determina como masculinas, por exemplo“, diz.
Ela revela quando começou a transição e que pretendia ficar mais tempo longo dos holofotes após as cirurgias, mas a imprensa descobriu.
Quando eu entendi que era uma mulher trans e comecei minha transição, só tinha certeza de que queria fazer tudo longe da mídia e ter muita saúde mental. Contei para minha família e para meus melhores amigos. Minha mãe foi minha maior parceira. Comecei os hormônios em outubro de 2023 e, durante três meses, não conseguia sair da cama, pois fiquei muito fraca. Foi um momento muito difícil, mas libertador. Nos meus planos, eu pretendia ficar mais tempo longe de tudo, porém a mídia descobriu e começaram a sair algumas matérias muito distorcidas.
Por fim, Maya deixa claro que está muito feliz e que “se encontrou no gênero feminino”. Entretanto, ela ainda não se sente prepara para conversar sobre tudo.
Quero ir no meu tempo, mas quero deixar uma coisa clara para vocês: como eu estou feliz e me encontrei no gênero feminino. Não sei por qual motivo Deus me fez assim, mas era para ser dessa forma e hoje sou a pessoa mais feliz do mundo. Sou uma mulher trans com muito orgulho. O futuro eu não sei ao certo, mas sei que quero continuar no entretenimento e ser uma influência boa para quem me acompanha. Quero fazer diferença no mundo e espalhar toda essa alegria e gratidão que estão no meu peito.
A relato completo de Maya Massafera está disponível na edição da Vogue especial ao Orgulho LGBTQIA+.