O Tribunal Regional Federal da 3ª Região concedeu, na quarta-feira (13), a liberdade para Raphael de Souza Oliveira, proprietário da página de fofocas Choquei. O influenciador digital cumpria prisão preventiva na esteira da Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e estelionato digital. Apesar da decisão judicial que o coloca fora da cadeia, o foco das investigações expõe uma prática recorrente do portal: a venda de propagandas ilícitas camufladas como se fossem notícias autênticas.
Segundo a denúncia da Polícia Federal, o empresário utilizava o alcance massivo da página — que soma mais de 27 milhões de seguidores — para atuar como operador de mídia de uma organização criminosa.
O esquema consistia em receber dinheiro sujo para publicar conteúdos amplamente favoráveis a artistas investigados, como MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de promover rifas digitais e plataformas de apostas ilegais, tudo sem alertar o público sobre o caráter publicitário das postagens.
Publicidade velada financiada com dinheiro ilícito
A investigação detalha que o dinheiro obtido por meio de atividades criminosas ingressava nas contas das empresas de marketing e de portais de entretenimento para gerar uma confusão patrimonial intencional. Dessa forma, os recursos ilícitos eram misturados ao fluxo financeiro legítimo das páginas, distanciando o capital de sua origem criminosa. No Fala Brasil (RECORD), o delegado da Polícia Federal Ivo Roberto Costa da Silva explicou que o alto volume de movimentações nesses perfis facilitava a ocultação dos valores.
Apenas de MC Ryan SP, apontado como um dos principais beneficiários do esquema, Raphael teria recebido R$ 370 mil por serviços de divulgação. Desse total, R$ 270 mil foram rastreados em movimentações financeiras diretas entre 2024 e 2025, enquanto R$ 100 mil entraram por meio de uma transferência de origem desconhecida. Em nenhum momento o público da Choquei era informado de que os textos elogiosos e as recomendações de jogos eram, na verdade, anúncios pagos.
A ausência de ética e as denúncias de retaliação
A conduta da página reacendeu o debate sobre a falta de regulação e ética no ambiente digital. No jornalístico da RECORD, o professor de jornalismo Guilherme Bryan ressaltou que o compromisso ético exige que qualquer informe publicitário seja explicitamente identificado de forma visual ou textual, para que o consumidor saiba que não está diante de uma reportagem isenta.
Além da publicidade velada, surgiram denúncias de que o perfil praticava retaliações online contra celebridades que se recusavam a contratar seus serviços de promoção. Diante da negativa de fechar negócio, a página passava a disseminar informações negativas e prejudiciais sobre a imagem daquela personalidade.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro, alertou que a maioria desses perfis de redes sociais opera sem qualquer compromisso com a responsabilidade inerente ao jornalismo tradicional, aproveitando-se de um cenário sem regras específicas para a atuação de mídias digitais.
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Posicionamento jurídico e andamento do processo
A defesa de Raphael de Souza Oliveira declarou, em nota, que as investigações não apontam o influenciador como líder ou administrador das finanças de qualquer organização criminosa. O advogado Pedro Paulo de Medeiros sustentou que os recebimentos financeiros da Choquei são decorrentes de contratos de publicidade estritamente lícitos, devidamente faturados com notas fiscais emitidas para diversas personalidades do meio artístico.
O empresário havia sido detido em um condomínio de luxo em Goiânia e transferido para o presídio de Aparecida de Goiânia. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) chegou a emitir uma ordem de soltura anterior, mas a Justiça Federal em São Paulo aceitou um novo pedido da Polícia Federal e renovou a prisão preventiva antes de sua saída. O cenário foi alterado nesta semana com o novo veredito do Tribunal Regional Federal, que assegurou a liberdade do proprietário do portal.
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