A reportagem exibida no Domingo Espetacular (RECORD) no domingo (16) trouxe à tona mais um capítulo estarrecedor do Golpe do Pix, revelando não apenas o funcionamento do esquema, mas também os métodos abusivos utilizados para comover o público e arrecadar doações. Uma das vítimas, Lucileide, relatou que foi pressionada pelo apresentador Marcelo Castro a chorar diante das câmeras e a permitir que seu filho, com hidrocefalia, se arrastasse no chão durante a gravação.
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Esquema fraudulento e manipulação emocional
Segundo a Polícia, o golpe operava durante o Balanço Geral BA, da RECORD, onde Marcelo Castro apresentava um quadro voltado à arrecadação de doações. No entanto, a chave Pix exibida na tela não pertencia às famílias beneficiadas, mas a integrantes da quadrilha. O dinheiro era desviado para contas do grupo e utilizado para pagar boletos, cartões de crédito e realizar depósitos entre os envolvidos.
As investigações apontam que o esquema durou 1 ano e 5 meses. O apresentador, atualmente contratado da TV Aratu (SBT), onde comanda o Alô Juca, escolhia vítimas com perfis semelhantes: famílias em situação de vulnerabilidade, enfrentando doenças graves ou dificuldades financeiras, e que dificilmente teriam meios de verificar o valor real arrecadado.
Relato comovente de uma mãe
Lucileide, moradora da periferia de Salvador, participou de uma das campanhas. Seu filho, Augusto, de 21 anos, sofre com complicações da hidrocefalia e má formação da coluna vertebral, o que o impede de andar. A mãe buscava ajuda para adquirir um triciclo motorizado que desse mais autonomia ao jovem.
Durante o depoimento, ela revelou a pressão emocional sofrida: “Dói muito ver os outros saindo e ele sem poder sair, sem poder fazer nada como um jovem faz”. Segundo Lucileide, Marcelo Castro insistiu para que ela chorasse diante das câmeras e que o filho se arrastasse no chão, com o objetivo de aumentar o apelo emocional da matéria. “Bora deixar ele se arrastar que aí vai ter mais audiência. E mandou a gente chorar”, relatou.
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Desvio milionário
De acordo com a investigação, a campanha arrecadou R$ 30 mil, mas apenas R$ 6 mil foram repassados à família. O restante teria sido desviado. No total, o grupo liderado por Marcelo Castro teria arrecadado mais de R$ 543 mil em diversas campanhas, desviando cerca de 75% desse valor — o equivalente a mais de R$ 407 mil.
O caso segue em investigação e o julgamento, inicialmente previsto para este ano, foi adiado para maio de 2026. A repercussão cresce à medida que novas vítimas se manifestam e detalhes do esquema vêm à tona.
