A influenciadora digital Virginia Fonseca virou assunto no noticiário policial após uma grande reportagem de Ari Peixoto exibida pelo Domingo Espetacular (RECORD). O programa detalhou, no último domingo (07), os bastidores de um inquérito da Polícia Federal (PF). A apuração criminal começou a partir de documentos e relatórios de inteligência financeira da CPI das Bets no Senado Federal.
A investigação penal busca identificar possíveis irregularidades fiscais, fraudes financeiras e práticas de lavagem de dinheiro. De acordo com o programa, o foco principal está nas contas das empresas ligadas à criadora de conteúdo.
Os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações suspeitas na conta da empresa Talisman Digital. A empresa recebeu pouco mais de R$ 22 milhões em um período de seis meses. Desse total, R$ 21,4 milhões entraram por meio de 44 transações via Pix e R$ 1 milhão via TED.
A maior parte desse dinheiro, equivalente a R$ 17,7 milhões, veio da empresa Amp Pay Marketing. Contudo, os investigadores apontam que essa companhia está inscrita no Simples Nacional. O regime tributário limita o faturamento anual em R$ 4,8 milhões. Além disso, a sede da empresa remetente fica em um pequeno box de galeria comercial, o que levantou o alerta da fiscalização.
Supostas conexões societárias sob análise
A reportagem também mapeou o histórico comercial dos sócios de Virginia na marca de cosméticos WePink. O empresário Thiago Stabile administra a marca ao lado da influenciadora. Antes dessa parceria, ele e a esposa fundaram a rede Pink Lash em 2016. Na época, o casal teve como sócia Karen Mori, viúva de um dos chefes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A polícia prendeu Karen Mori posteriormente por lavagem de dinheiro e associação ao crime. O programa jornalístico destacou que, em 2023, a empresa de Karen mudou o endereço oficial para o mesmo edifício comercial de luxo onde funciona a holding de Virginia Fonseca, em São Paulo.
Defesa nega qualquer irregularidade
A produção do programa obteve uma extensa nota enviada pelos advogados de defesa da influenciadora. No texto, a equipe jurídica esclarece que não há qualquer movimentação ilegal nas operações da empresária. A defesa ressalta que “identificar movimentação atípica em relatório financeiro não significa, por si só, a existência de irregularidade”.
Sobre os valores recebidos via Pix, a nota afirma que a WePink se consolidou como uma potência no varejo tradicional. A marca opera quiosques físicos em shoppings e recebe muitos pagamentos em dinheiro. Segundo os advogados, “esses depósitos são individualizados por ponto de venda e conciliados diariamente, com o fechamento de caixa e a emissão de cupons fiscais”.
A respeito do crime organizado, a defesa declarou que a afirmação não procede. O comunicado garante que a WePink nasceu em 2021 de forma independente. A empresa não possui “qualquer vínculo societário, operacional ou financeiro com a pink lash ou com os terceiros mencionados”. A equipe reforça que a relação antiga dos sócios com Karen Mori ocorreu exclusivamente no âmbito da outra empresa do casal.
Assista ao vídeo com a reportagem completa:

